Política

Vieira conversa com Rubio para barrar classificação de facções como organizações terroristas; temor é de intervenção no Brasil

Governo teme que medida defendida por aliados de Donald Trump amplie a atuação americana contra o narcotráfico na América Latina e gere tensões diplomáticas

Anônimo
09 de Março de 2026, 13:40 1 min de leitura
Vieira conversa com Rubio para barrar classificação de facções como organizações terroristas; temor é de intervenção no Brasil
Marco Rubio e Mauro Vieira após reunião em 13 de novembro de 2025 — Foto: Reprodução/X

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversou por telefone neste domingo (8) com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, para tratar de temas da relação bilateral entre os dois países. Entre os assuntos discutidos esteve a preocupação do governo brasileiro com a possibilidade de Washington classificar facções criminosas do Brasil como organizações terroristas estrangeiras.

De acordo com fontes diplomáticas, o Brasil busca evitar que grupos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) sejam incluídos nessa categoria pela legislação norte-americana. A classificação ampliaria os instrumentos legais dos Estados Unidos para combater essas organizações, incluindo sanções financeiras, investigações internacionais e maior cooperação policial.

Nos bastidores do Itamaraty, diplomatas demonstram preocupação de que a medida possa abrir espaço para pressões políticas ou estratégicas na região, sob o argumento de combate ao narcotráfico e ao crime organizado transnacional.

A conversa também abordou a possibilidade de uma visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Washington para um encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A expectativa inicial era que a reunião ocorresse ainda em março, mas dificuldades de agenda têm atrasado a definição de uma data.

Segundo fontes ligadas ao governo americano, a proposta de classificar facções criminosas estrangeiras como organizações terroristas vem ganhando força em setores políticos de Washington e pode ser levada ao Congresso dos Estados Unidos nos próximos dias para análise.

Caso avance, o tema tende a se tornar um novo ponto de tensão nas relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, especialmente no debate sobre soberania e cooperação internacional no combate ao crime organizado.

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